ANJOS, F. C Fábio Cristovão dos Anjos. Tecnologia do Blogger.

As assustadoras coleções de um estranho museu de raridades

As figuras de cera chamadas moulages eram utilizadas como ferramentas de ensino nos séculos XVIII e XIX. Neste caso são mostrados os sintomas do lúpus e da lepra. (NationalGeographicChannel)
Pouco antes do Natal de 2016, o Museu de Anatomia Patológica (MAP) fechou suas portas.
Este museu, localizado no Brooklyn, em Nova Iorque, era uma mistura de espetáculo e cultura, que abrigava palestras, oficinas e exibições que incentivavam conversas abertas sobre a morte.
Entre as exposições, era possível encontrar uma antiga figura de cera de um assassino em série alemão, um “esqueleto de Beauchene” no qual os ossos do crânio estão separados para conseguir uma perspectiva 3D, esculturas em tamanho real de mulheres nuas que mostram os órgãos em sua posição anatômica correta. Muitas das peças pertenciam a colecionadores privados e nunca haviam sido mostradas ao público, e agora a maioria delas voltará à escuridão.
“É um museu dedicado aos ciclos de vida e morte, por isso nós teremos que aceitar esta morte também,” explica Joanna Ebenstein, fundadora adjunta do museu e especialista em arte. O museu, que abriu suas portas em junho de 2013, se inspirou na biblioteca pessoal e no blog sobre anatomia patológica de Joanna.
No entanto, é difícil sustentar um museu de 390 metros quadrados no Brooklyn. Além disso, conseguir patrocinadores quando a palavra “patológico” está no seu nome, é um grande desafio, diz Joanna.
Isso não quer dizer que o público não tenha interesse na patologia, segundo Tracy Hurley, a outra fundadora do museu. “Apesar de tudo, nos surpreendemos ao ver que há muito mais gente interessada do que imaginávamos, e acredito que o MAP fez muito para unir estas pessoas.”
“Quando falei pela primeira vez com a Joanna sobre o fechamento do museu, ela estava organizando caixas de livros da coleção que ela mesma doou. Agora as coisas estão guardadas na minha casa e no sótão de uma amiga,” conta Tracy.
A exposição favorita de Joanna, nos dois anos e meio em que o museu esteve aberto, foi “A Arte do Luto”, que incluía arte vitoriana feita por pessoas comuns a partir dos cabelos de seus familiares falecidos. “Isso levou as pessoas a questionarem suas atitudes em relação à morte, e este era exatamente o objetivo do museu.”
As exibições de joias feitas de cabelo e as caixas que continham máscaras mortuárias como uma forma de recordação das pessoas queridas, lançaram uma luz sobre uma era em que as pessoas se sentiam mais cômodas mostrando seu luto.
“Não é simplesmente um homem estranho no século XIX que tinha uma foto de seu bebê morto pendurada na parede. É algo que toda a sociedade fez durante um século inteiro,” declarou Joanna em uma exposição em 2014. Erika Engelhaupt, escritora da National Geographic, conta que ficou impressionada com a delicadeza e o carinho com que os mortos eram fotografados na época, enquanto observava uma foto do que parecia ser um bebê morto.
“A Vênus Anatômica era a peça central de outra das exposições focada nas figuras de cera do Panóptico de Castan (1869-1922). Os panópticos eram museus de cera populares que misturavam a educação com elementos tirados de “espetáculos de raridades” para surpreender o público.
As vênus anatômicas eram modelos de mulheres em tamanho real, muitas vezes representadas grávidas, usadas para ensinar anatomia. Elas mostravam mulheres que, embora estivessem mortas, eram muito bonitas e até mesmo sensuais. Era possível abrir suas barrigas e delas saíam órgãos muito realistas, culminando com o surgimento de um feto no útero.
Alguns modelos de cera são incrivelmente realistas considerando a época em que foram criados, representando não apenas doenças como a lepra, mas também as mãos de um médico retirando um bebê de uma vagina anatomicamente perfeita.
O museu também era famoso por suas exibições de taxidermia, que não tinham nada a ver com as representações comuns dos museus de história. A obra “O Casamento dos Gatos”, do taxidermista britânico Walter Potter, era descrita na página do museu como “perversa e adorável em partes iguais, totalmente fascinante”.
Não é fácil pensar em uma maneira melhor de descrevê-la. No diorama, 15 gatos mortos representam seus papéis numa cerimônia de casamento vitoriana, com damas de honra, enquanto um gato macho franze a testa demonstrando não concordar com o evento.
Joanna sempre teve uma visão prática de suas exposições. Elas são pensadas para que as pessoas questionem o que consideram normal e apropriado, no que se refere à morte e a outros temas que “saem do normal”, conforme ela mesma explica.
Como declarou em 2014:, “O sexo e a morte são temas que sempre nos interessaram. Nossa ideia do que é apropriado em relação a estes temas, mudou, mas ainda assim as pessoas continuam querendo saber mais sobre eles.”
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Sobre o autor Fábio Anjos

Biólogo Licenciado em Ciências Biológicas, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA-CE, Licenciatura Plena, 2010. Atualmente exerce a função de educador nível médio no Projeto Travessia na rede Estadual de Ensino, na Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora e como também na rede municipal de João Alfredo. O mesmo possui Pós-graduação Lato Sensu em Análises Clínicas pela Faculdade Frassinetti do Recife-FAFIRE-PE, 2012. Cursando mestrado, pela Faculdade Norte do Paraná, no curso de Ciências da Educação e Multidisciplinaridade e cursando espanhol pela Universidade de Pernambuco.
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