ANJOS, F. C Fábio Cristovão dos Anjos. Tecnologia do Blogger.

Mãe vence timidez e topa papel para atuar com filho em Paixão no Recife

Mãe e filho dividem cena na Paixão de Casa Amarela (Foto: Luna Markman/ G1)
Uma peça de teatro emociona quem se deixa embalar pelos sentimentos despertados - mesmo sabendo que é apenas interpretação de uma situação. A narrativa dos últimos dias de Jesus é naturalmente comovente, mexendo, inclusive, com as emoções de quem está no palco. Na Paixão de Cristo de Casa Amarela, na Zona Norte doRecife, Marly Câmara é famosa pela comoção em cena. Ela faz o papel de Maria e, na vida real, o ator que representa Jesus é o seu filho, George Acioly, detalhe que faz toda a diferença.
(Nesta semana, o G1 apresenta os principais espetáculos baseados na Paixão de Cristo que são encenados na Região Metropolitana do Recife. Além das montagens realizadas na capital, as reportagens vão abordar peças feitas em Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho, Olinda e Paulista.
Técnico em meio ambiente, George sempre esteve ligado à igreja de Santa Isabel, no Alto de mesmo nome. Ele tem dez anos de espetáculo. Foi anjo, o "cego", o "aleijado", doutor da lei e ladrão. Marly mareja os olhos ao lembrar do filho levando chicotadas dos soldados ao interpretar o ladrão. "Eles aproveitavam e batiam de verdade, dava vontade de pedir para parar. E quando eu via aquele sangue, mesmo sabendo que era tinta, eu não me aguentava e chorava", disse.
Há cinco, George encarna Jesus. Está longe daquele estereótipo do Cristo branco, loiro, com olhos azuis, pois tem tom de pele e cabelos escuros. Há dois anos, convidou a mãe, a assistente financeira Marly, para fazer o papel de Maria. "Sabia que a peça ganharia uma emoção ainda maior por conta desse vínculo familiar. Para mim, é bem emocionante, e o público não vê dois atores, enxerga mãe e um filho", comentou George.
Marly em cena com filho 'crucificado' (Foto: Arquivo Pessoal)
Marly em cena com filho 'crucificado' (Foto: Arquivo Pessoal)
Marly não participava do espetáculo, sempre foi plateia. Ao aceitar o papel, venceu a timidez por um bom motivo. "Para mim, não vejo nada como teatro, é tudo verdade. A Paixão é um momento de evangelização. Há mães perdendo seus filhos para as drogas, a violência. Naquele momento, eu sinto medo, pavor, pânico mesmo; estou vivenciando todo sofrimento que Maria passou e pedindo misericórdia", apontou.
Marly tem três filhos e acredita que o apego à prole surgiu na época em que se separou do marido. Na época, teve medo de perder a guarda das crianças e fortaleceu o vínculo. Hoje, divide o amor com mais dois netos. Todo mundo faz questão de assistir à peça, encenada no Largo da Feira, no Alto de Santa Isabel. "Se ele [George] desse uma piscadinha com o olho na hora em que o seguro nos meus braços, após a crucificação, ajudaria, pois ia me trazer à realidade", brincou.
O enredo é tradicional, com passagens bíblicas que profetizam a chegada de Cristo, passando pela tentação, sermão, batizado até a ressureição, somando 14 cenas, ao todo. A comunidade se mobiliza e ajuda na montagem dos cenários e figurinos. Os ensaios ocorrem na sede do conselho de moradores. Cerca de 100 pessoas participam da montagem, entre atores, figurantes e técnicos.
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Sobre o autor Fábio Anjos

Biólogo Licenciado em Ciências Biológicas, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA-CE, Licenciatura Plena, 2010. Atualmente exerce a função de educador nível médio no Projeto Travessia na rede Estadual de Ensino, na Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora e como também na rede municipal de João Alfredo. O mesmo possui Pós-graduação Lato Sensu em Análises Clínicas pela Faculdade Frassinetti do Recife-FAFIRE-PE, 2012. Cursando mestrado, pela Faculdade Norte do Paraná, no curso de Ciências da Educação e Multidisciplinaridade e cursando espanhol pela Universidade de Pernambuco.
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