ANJOS, F. C Fábio Cristovão dos Anjos. Tecnologia do Blogger.

E o Império chega ao fim



Nesta sexta 13 o Império chega ao fim. Depois de oito meses e muitas reviravoltas (algumas inexplicáveis), o folhetim de Aguinaldo Silva se despede do espectador com um pico, só ontem, de 44 pontos no Ibope (hoje deve subir). E assim, a saga de José Alfredo, o pobretão que vira contrabandista e acaba comendador, fica para trás. A pergunta é: “Império” deixará saudades? Baterá recordes de audiência daqui a alguns anos, quando for reprisada no Canal Viva? Há quem duvide.
Vamos fazer um rápido exercício. Citarei dois títulos e você tentará rapidamente relembrar das respectivas tramas:
“Amor à Vida”.
“Salve Jorge”.
Fala aí, foi difícil, né? E nem faz tanto tempo que foram ao ar. Calma, ninguém está dizendo que “Império” sofreu da anemia narrativa de suas antecessoras (e nem mencionei “Em Família”). Mas o fato é que a novela ensaiou ousadia, ameaçou – com todo o respeito – “bater o pau na mesa” e refugou.
Começou como uma trama digna de Nelson Rodrigues: o irmão que é acolhido pelo outro e acaba tendo um caso com a mulher deste; acrescente-se aí uma solteirona amarga que distila vilania até coando café. A bem dizer, se a novela tivesse se desenvolvido com personagens e situações da primeira fase, seria uma história e tanto.
Mas vamos à segunda fase. Aguinaldo povoou de gays – enrustidos, soltinhos, amargos, crossdressers – uma novela no comedido horário das nove, colocou em primeiro plano uma relação tabu entre um cinquentão e uma ninfeta, criou um casal de pais que cafetinava descaradamente os filhos. Foram atitudes arrojadas. Mas é dura a vida de autor de folhetim global. Ao longo dos meses os gays foram tomando um rumo mais controlado, as tórridas cenas entre o comendador e sua ninfeta foram sendo cortadas, os pais canalhas perderam a força.
Houve um tantinho de “rocambolismo” na trama: o mordomo que na verdade era o ex-marido da patroa (momento “Crepúsculo dos Deuses”), que na verdade era um ex-empresário poderoso, que na verdade é o mentor das perversidades…  A coisa beirou o nível da alucinação quando Drica Moraes (a Cora da segunda fase) adoeceu e colocaram Marjorie Estiano (a Cora da primeira fase) no lugar dela. Nem “De Volta Para o Futuro” ousaria tanto.
E aquilo que lá no começo ensaiava ser uma trama rodrigueana, ganhou ares de tragédia shakespeariana, com o filho “regicida” (usando a definição do próprio José Pedro/Fabrício Melgaço) que trama contra o pai para lhe tomar o trono (ou o diamante cor-de-rosa – fica ao gosto do freguês).
Mas, em um balanço geral, “Império” teve momentos únicos. A saber:
- Criou um galã instantâneo que mal apareceu na trama (Chay Suede).
- Elevou Marina Ruy Barbosa à categoria de sex symbol.  
- Referendou os dotes vilanescos de Marjorie Estiano.
- Tirou Viviane Araújo da estrada do ostracismo.
- Mostrou que José Mayer pode ir além do abatedor de donzelas.
Para finalizar, é bom lembrar que teve muita bola fora evitável: excesso de gente falando só, diálogos repetitivos que lembravam exaustivamente o que os personagens haviam feito durante a novela, muitas inverossimilhanças (e só para falar do penúltimo capítulo: poxa, o cara tomar um tiro em plena Santa Teresa movimentada e nenhuma alma perceber? Sério? Todo mundo procurando o desesperadamente o comendador e ninguém tem a ideia de ligar para Josué, o braço-direito dele? Ah, para…). Uma amiga me disse que novela é assim mesmo. Mas não precisa ser, né? Vide “Avenida Brasil”. Vejamos o que o Gilberto Braga nos reserva.
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Sobre o autor Fábio Anjos

Biólogo Licenciado em Ciências Biológicas, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA-CE, Licenciatura Plena, 2010. Atualmente exerce a função de educador nível médio no Projeto Travessia na rede Estadual de Ensino, na Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora e como também na rede municipal de João Alfredo. O mesmo possui Pós-graduação Lato Sensu em Análises Clínicas pela Faculdade Frassinetti do Recife-FAFIRE-PE, 2012. Cursando mestrado, pela Faculdade Norte do Paraná, no curso de Ciências da Educação e Multidisciplinaridade e cursando espanhol pela Universidade de Pernambuco.
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