ANJOS, F. C Fábio Cristovão dos Anjos. Tecnologia do Blogger.

Entrevista com Glória Perez (Autora da novela - A FORÇA DO QUERER)


Qual foi sua preocupação na construção da personagem Ivana?
Construir a empatia da personagem com o público. Ivana foi apresentada como alguém que vive uma crise de identidade, atravessa um momento de insegurança, sente-se diferente e desencaixada do universo em volta, e sofre com isso. São sentimentos que as pessoas reconhecem, que em algum momento da vida todo mundo enfrentou, por motivos diversos. Criado o laço, criada a empatia, as pessoas passam a torcer para que ela seja feliz.


Como foi o processo de escolha da atriz que interpretaria Ivana e como chegaram a Carol Duarte?

Fizemos testes. Carol se destacou de imediato. O teste era um monólogo que perpassava toda a trajetória de Ivana. A sensibilidade, a delicadeza, a profundidade com que Carol o interpretou, não me deixou a menor dúvida: a Ivana era ela!


Como você vê o público, sobretudo o mais conservador, reagindo a Ivana?

O público, mesmo o mais conservador, deu colo a Ivana.


Em que você se inspirou para escrever a cena que vai ao ar na terça, em que Ivana contará à família que é transexual? Em relatos?

Não, não ouvi nenhum relato parecido. Essa cena foi criação minha.


Na história da teledramaturgia, a cena da revelação de Ivana deve ser um marco, assim como foi, por exemplo, o beijo gay em ‘Amor à Vida’. Qual a importância de se tratar e debater esse assunto dentro de um produto ainda de grande alcance como é a novela?

Penso que a importância é jogar o assunto na mesa, transformar em discussão nacional. Esse é o alcance da novela. Ela é capaz de abrir espaço para que as instituições e os grupos ligados à defesa dos direitos dessas pessoas conquistem benefícios práticos. 


‘A Força do Querer’ toca em assuntos que estão na ordem do dia também dentro da própria emissora, por meio de uma série de ações de mobilização. A Globo lançará uma campanha inserida na plataforma 'Tudo Começa Pelo Respeito'. Qual a importância dessas múltiplas ações adotadas internamente pela casa e refletidas em suas produções?


Mais do que nunca está sendo importante falar de tolerância e respeito pelo próximo, de modo que a adesão da emissora empresta uma força ainda maior à causa.
A novela ‘A Força do Querer’ foi, de alguma maneira, catalisadora dessas iniciativas, uma vez que a trama trata de temas como transexualidade? 
Temos trabalhado em cima deste tema, como parte das ações de Responsabilidade Social da Globo, desde 2014, quando identificamos que o assunto estava sendo discutido entre os jovens, surgindo em diferentes ações realizadas com esse público. A decisão da Gloria Perez em abordá-lo também na novela foi totalmente artística, autoral, sem qualquer intervenção da nossa equipe. Contudo, quando soubemos da intenção, convidamos a autora para participar de nossas ações, dos nossos debates e nos colocamos à disposição para ser a ponte entre ela e nossos parceiros como Unesco, UNAIDS, ONU Mulheres e Unicef, além de ativistas e influenciadores que têm nos ajudado a entender e nos aprofundar no tema. Ter o assunto discutido na novela foi e é ainda muito importante para fomentar a conversa fora da programação, ampliar o alcance das nossas iniciativas e mobilizar ainda mais pessoas com conteúdo e informações relevantes. 


Como vocês estão colocando esses debates em prática no dia a dia dos funcionários da Globo?

Além do fórum que abriu o calendário de atividades no começo do ano, e que foi totalmente dedicado a introduzir o assunto e iniciar a discussão entre os funcionários, o trabalho com o público interno foi planejado para compartilhar as informações que levantamos ao longo do processo. Produzimos uma publicação exclusiva para circulação entre os funcionários, especialmente para os profissionais do Jornalismo e para os responsáveis pela criação de conteúdo do Entretenimento, que traz um grande guia de termos e das diversas nomenclaturas de gêneros e orientação sexual. Esse material apresenta, ainda, um guia de fontes, ou seja, de especialistas, entidades e pesquisadores que têm conhecimento sobre o tema e podem ser consultados para matérias e ações especiais. Além disso, tanto a versão impressa quanto a virtual do nosso caderno 'Corpo: Artigo Indefinido' circulou amplamente entre os funcionários, também como forma de chamar a atenção e incluí-los na conversa.


A Globo tinha realizado debates, ações e campanhas com outros temas importantes nos anos anteriores?

Esse trabalho de mobilização e conscientização é realizado há muito tempo e, independentemente do tema, nos dedicamos com o mesmo afinco a todas as iniciativas que apoiamos. Apenas em novelas, é possível identificar diversas tramas que já abordaram temas socialmente responsáveis e importantes para a agenda nacional como a questão ecológica, sustentabilidade, violência contra a mulher e orientação sexual, entre outros. Somente no ano passado foram exibidas mais 1.280 cenas tratando de questões como essas na dramaturgia da Globo.


Também no ano passado, tivemos uma ação muito bacana em 'Malhação – Seu Lugar no Mundo' para discutir o aumento do número de jovens infectados com o vírus HIV. Quem nos chamou a atenção para o tema foi nosso parceiro Unaids (Programa da Nações Unidas sobre a temática), com quem temos trabalhado há alguns anos. Pensamos juntos em uma forma de conversar com os jovens brasileiros sobre o assunto e iniciamos uma campanha, criada pela Comunicação da Globo e assinada com a Unaids, incentivando a testagem entre os jovens. Na sequência, levamos a equipe da Unaids para ‘Malhação’. Na época, o autor Manuel Jacobina compreendeu a gravidade da situação e inseriu, na trama, um casal adolescente do ensino médio e sorodivergente, em que o menino era soropositivo e a menina não. Assim, a questão foi abordada na história, na TV, e virou depois um spinoff, uma websérie com veiculação exclusiva no GShow, que teve uma das melhores performances de web série da Globo.



Fonte: http://www.msn.com/pt-br/tv/novelas/ivana-revela-%C3%A0-fam%C3%ADlia-ser-trans-em-a-for%C3%A7a-do-querer-e-cena-pode-ser-hist%C3%B3rica/ar-AAqV2mf?li=AAggXC1


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Sobre o autor Fábio Anjos

Biólogo Licenciado em Ciências Biológicas, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú UVA-CE, Licenciatura Plena, 2010. Atualmente exerce a função de educador nível médio no Projeto Travessia na rede Estadual de Ensino, na Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora e como também na rede municipal de João Alfredo. O mesmo possui Pós-graduação Lato Sensu em Análises Clínicas pela Faculdade Frassinetti do Recife-FAFIRE-PE, 2012. Cursando mestrado, pela Faculdade Norte do Paraná, no curso de Ciências da Educação e Multidisciplinaridade e cursando espanhol pela Universidade de Pernambuco.
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